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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Golos, vitórias e show-off.

O equilíbrio que se vê no futebol português, tantas vezes desmentido pelos seus adeptos, nota-se por diversas ocasiões, como prova contrária. A jornada que passou, a última da primeira volta, foi apenas a terceira em que os três grandes venceram os seus jogos, cujos resultados podem ser recordados aqui.

À felicidade, pelos resultados obtidos, acresce o facto de em todos os jogos se terem marcado grandes golos (reveja-os mais abaixo), seja o de Salomão, o de Saviola e, sobretudo, o de Guarín.

Benfica a Porto podem demonstrar que a inspiração não se limitou ao fim-de-semana já hoje, nos jogos que ambos realizam a contar para a Taça de Portugal, com Olhanense e Pinhalnovense, respectivamente, enquanto o Sporting, já eliminado da competição, deixar-nos-á à espera de ver se o seu registo aumenta para quatro vitórias consecutivas.



Diogo Salomão, Sporting vs Sp. Braga



Javier Saviola, U.Leiria vs Benfica



Freddy Guarín, FCPorto vs Marítimo


domingo, 28 de novembro de 2010

Eles também ganham!

O Benfica acaba de vencer, em Aveiro, o Beira-Mar, por 3-1. O Marítimo venceu, ontem, o Vitória de Guimarães, por 2-0. Pelos vistos, as equipas aqui mais faladas também vencem (e jogam bem). Será isso suficiente, aos olhos dos adeptos? Creio que na próxima jornada se saberá.

O Marítimo partia para o jogo, com um teórico adversário directo, atacado por um início de época desastroso, por uma eliminação precoce na Taça de Portugal - e na Liga Europa, diga-se -, com os avanços e recuos das obras no Estádio dos Barreiros e com um treinador que não cativa sequer o mais crente adepto maritimista. Tudo isto para dizer que o Vitória de Guimarães partia como favorito para o jogo, no Funchal.

Tudo errado. Não fosse o lado surpresa o que mais estimula todos os amantes do desporto-rei. O Marítimo, apesar de beneficiário de um erro clamoroso de arbitragem, dominou, controlou, foi 'senhor' do jogo e mostrou que o 14º lugar é temporário. O treinador, agora, respira fundo e pode, garantidamente, trabalhar com outra confiança, a partir do resultado de ontem.

Os da Luz venceram no Municipal de Aveiro, jogando muito bem durante 70% do jogo. Será de admirar, quando o adversário de jogo se chama Beira-Mar? Sim. Os adeptos têm, efectivamente, de se habituar às prestações bipolares do Benfica.

Da última vez que me referi ao clube, este tinha perdido por 0-5, logo com o FCP. Pelo meio, para enganar, goleiam a débil Naval (4-0), e são humilhados pelo mediano Hapoel (0-3). Na lógica da bipolaridade, o resultado a esperar seria, por acaso, uma vitória, mas perante a conjuntura actual (um presidente satisfeitíssimo com os resultados alcançados pelo treinador; um treinador que só actua em monólogos - palavras de antevisão dos jogos à Benfica TV) será melhor não se fiar. Isto, claro, sem perder o benfiquismo.
Agora, depois das vitórias saborosas do campeão nacional e do dito campeão das ilhas, e do clássico algo insosso, o Benfica está a uns mais atraentes oito pontos de distância para o primeiro lugar, e o Marítimo, sem alterar o cenário classificativo, mostra as garras.

Veremos se há antídoto para a doença. Venha daí o próximo fim-de-semana!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O super-herói e a depressão de seis milhões


Armadilhas tácticas de Jesus
Fonte: A Bola

O Halloween chegou ao futebol com uma semana de atraso. Que o diga Jorge Jesus e os jogadores, escolhidos por si. No decorrer da passada semana, o Benfica teve o mérito de virar as expectativas que se geravam relativamente ao clássico de ontem, devido a um jogo soberbo frente a uma das melhores equipas europeias, capaz de fazer lembrar alguns dos jogos épicos da temporada anterior. Por sua vez, o Porto dava um sinal de fraqueza, pela primeira vez este ano, também no seu jogo europeu, deixando antever que o embate com os lisboetas seria, efectivamente, muito mais equilibrado do que se acharia, há oito, nove dias atrás.

No jogo de palavras, os treinadores assumiram as posturas já esperadas. O do Porto, André Villas-Boas, demonstrou vontade de ampliar a vantagem para o Benfica, elogiando o adversário e atribuindo-lhe capacidades que este ano não tinham sido ainda vistas. Jorge Jesus, do Benfica, acanhou-se. Não assumiu, por uma vez que fosse, vontade de vitória e, no meio do seu discurso, saltava à vista o medo de ser claramente derrotado pelo adversário.

A constituição inicial das duas equipas atemorizava os adeptos e simpatizantes benfiquistas, mesmo os mais optimistas. Na equipa portista, tudo óbvio. Na do Benfica, adaptações e criações capazes de causar inveja a mentes mais originais. Noventa minutos depois, cinco a zero, a favor do Porto.

Há muitas razões para explicar tamanha desgraça para os campeões nacionais, mas de entre esse conjunto há uma razão que emerge: a terrível preparação do Benfica para esta nova época. Jesus, o terrestre, queixa-se disso constantemente. Os adeptos compreendem. Não haveria nada de estranho nesta história de lamúrias caso o responsável pela preparação da nova temporada não fosse o treinador. Curiosidade das curiosidades, Jorge Jesus foi o máximo responsável por isso!


Hulk, o carrasco
Fonte: A Bola

O treinador benfiquista, qual bruxo maquiavélico, apostou num defesa central sem rotinas de jogo e confiança para titular; arrastou aquele que diz ser um defesa central de categoria mundial para o lado esquerdo, porque este ''o conhece'' e atirou para o ataque um homem que tem como função a criação de jogo, abdicando do executante natural dessa tarefa ofensiva - não houve, portanto, definição de jogo no Benfica e as movimentações ofensivas foram precárias. Mas o Porto, para ele, foi ''muito eficaz'', simplesmente. Ah!, e contou com Hulk, que deve ter sido, caso tenha interpretado correctamente a mensagem, o único jogador ''inspirado''.

Na realidade, a questão é mais complexa. Jorge Jesus vive do passado. Angel di María e Ramires são, hoje, os fantasmas que atormentam as noites do treinador do Benfica. Os seus substitutos, Gaitán e Salvio, são os pesadelos. Perante o passeio exibicional da época passada, a fasquia estava (e está!!!) legitimamente muito alta.
 
Não digo que seja legítimo esperar que aconteça tudo o que se passou no ano anterior, mas o certo é que é da responsabilidade de quem lidera dotar a sua equipa de mais-valias apropriadas para as lacunas existentes. Além do mais, o Benfica subiu um patamar na Europa, o que é directamente proporcional a uma aposta financeira mais certeira, a uma análise do mercado mais séria.

No dia oito de novembro de 2010, com três meses de competição apenas, o embruxado Benfica aparece em segundo lugar na classificação. Nada de problemático, não fosse os dez pontos que já o separam do primeiro lugar... do Porto. Este, está bem. Caminha a passos largos para uma época descansada, facilitada por mérito próprio e por deslizes da concorrência. O Benfica acordará (se acordar) tarde. Necessita de corrigir rapidamente os handicapes da sua equipa (lateral direita!!, lateral esquerda!!) e precisa, sobretudo, de voltar a confiar em si mesmo.

P.S. Já que Jorge Jesus tem um interesse natural por contratar avançados e o Benfica se gaba de estar financeiramente saudável, porque não pagar cem milhões de euros pelo Hulk?